Archive for dezembro 2009
Retrospectiva 2009 – Revendo a procrastinação

Caindo no velho clichê, no fim de ano aproveitamos para rever o que foi feito nos últimos doze meses. Porém, como somos metidos a esquisitos, diferentes, bizarros ou coisa assim, faremos algo diferente. Essa retrospectiva será dos artigos que NÃO escrevi durante o ano, mas que planejei fazê-lo e por um ou outro motivo, incluindo procrastinação, fraturas, computadores moribundos e conexão ridícula, acabaram não saindo e se tornaram apenas rascunhos no meu bloco de notas. Vamos rever o que não aconteceu este ano aqui na Blodega:
- A efeméride de 25 anos do lançamento do livro “Neuromancer”, completada em julho desse ano, passou batido, mas com a honrosa desculpa que estava justamente nessa época um verdadeiro sem-computador. Infelizmente não deu pra falar do divisor de águas da ficção científica, que deu origem ao movimento cyberpunk e influenciou a cultura popular com seus conceitos ousados e diferentes da FC tradicional, sendo seu maior filhote a trilogia “Matrix”. Bem, quem sabe quando eu finalmente ler os demais livros da “Trilogia do Sprawn” eu volte ao tema. Ou então eu convença meu amigo Alan Geek, mais apaixonado por Willian Gibson do que eu, a escrever uma resenha entre um código e outro…
- Outra efeméride cara a esta blodega, que é comprovadamente um foco de Jazz segundo o Ministério da Saúde, foi o lançamento de 50 anos de lançamento do álbum “Kind of Blue”, o marco do movimento Cool Jazz, e um dos álbuns mais importantes de todos os tempos, e não só do gênero. Mas não dava pra esperar menos ao se reunir feras como Miles Davis (antes de começar a se vestir de cafetão e levar chifre de Jimi Hendrix), John Coltrane, Cannonball Aderley e Bill Evans, além de Paul Chambers e Jimmy Cobb. Também não consegui comprar sua edição especial lançada recentemente, já que a patroa tá fazendo uma auditoria braba nos gastos da blodega…
- Outra que deixei escorregar foi o aniversário da Bossa Nova, comemorado em 2008, quando estava perdido na ilha de Lost. Mas este ano poderia ter aproveitado o aniversário de lançamento do LP “Chega de Saudade” para fazer um arrazoado decente sobre a mistura Jazz-Samba. Mas não foi dessa vez. Ao menos posso usar a desculpa de que João Gilberto se recusou a comparecer na blodega porque a acústica daqui é uma bosta…
- Infelizmente passou batido comentar sobre alguns dos discos lançados por cantoras brazucas no decorrer deste ano. Talvez porque muitas das que lançaram seu segundo disco não me entusiasmaram muito. Por exemplo, o “Feriado Pessoal” de Bruna Caran não chega a ser ruim, mas tem poucas músicas que me falaram ao ouvido como em seu primeiro trabalho, destacando “Fim de Tarde”. Céu também lançou seu segundo de estúdio, “Vagarosa”, repetindo a fórmula do primeiro, ao misturar batidas eletrônicas com baticuns diversos, mas também não me surpreendeu tanto quando de sua estreia em 2005.Idem para Mallu Magalhães, cujo segundo disco achei fraquinho, fraquinho, e nem escutei tanto assim. Mesmo assim as meninas mereciam um comentário decente e passaram batido. Teve também a excelente estreia de Aline Calixto e o mais novo CD da Isabela Taviani “Meu Coração Não Quer Viver Batendo Devagar”. Já é seu terceiro disco de estúdio, e ainda não achei motivo pra deixar de ouvir suas baladas românticas. No momento que escrevo, estou ouvindo “Depois da Chuva”
- Faltou comentar sobre a porrada de livros que andei lendo nestes últimos meses, alguns novos, a maioria bem antigos, como o surreal “O Romance da Besta Fubana”, do compadre Luiz Berto, ou “O Ponto de Desequilíbrio”, do americano Malcolm Gladwell, ou a biografia do piloto Chuck Yeager. Também precisei adiar as conversas ao pé do balcão sobre literatura policial, incluindo alguns protagonistas clássicos do gênero, como Phillip Marlowe, Sam Spade ou Mike Hammer. Mas ano que vem sai alguma coisa, nem que tenha que começar pelo patriarca de todos, o elementar Sherlock Holmes. Só para ter uma ideia, olhem minha estante virtual aqui
- Se em livros fiquei devendo, avalie os filmes…muita coisa boa que assisti (e outras nem tanto) que deixei passar batido também e nem fiz maiores comentários a época que os assisti, desde “Spirit – O Filme” à “O Segurança Fora de Controle”. Quem sabe ainda retorne a um e outro no ano que vem. E acreditem, ainda não assisti a “Watchmen”, por mais heresia que isso possa parecer.
- Mais uma que ficou para o ano que vem são os textos sobre armas de fogo e cinema. Espero começar a escreve-los antes que os meganha descubram o estoque de pólvora seca e chumbo no sótão da blodega.
- E por fim, mas não menos relevante, cadê o tão prometido relato de minha permanência forçada na Ilha de Lost durante parte do ano de 2008? Prometo que este relato digno de arquivo-X sairá no próximo ano.
E se acharam pouco o que procrastinei, deveria escrever o que meus quase-colaboradores prometeram que escreveriam aqu pra blodega. Daria pra ficar um mês sem precisar postar. Mas ano que vem tem mais. Até lá, feliz ano novo. E que o doido do Almadinejah não resolva comemorar soltando rojões atômicos

Pondo só a Cabecinha!

Não, isso não é um post erótico, comentando sobre um filme onde uma jovem virgem perde o famigerado “cabaço”. Só a cabecinha é devido ao fato de que esse é um post curto, apenas pra alegrar um pouco, e sem intenção de chegar as vias de fato.
Enfim, fiquei sem net por alguns dias e totalmente fora do contexto da vida virtual. Com isso descobri que a internet é um saco. Dá para se viver sem ela sim, sem nenhum constrangimento. Consegui sair da frente do micro, me livrar do msn, spans e do saco que é esperar uma página carregar, um donwload acabar ou atualizar e responder o orkut. Na verdade me livrei de um monte de manias que nem sabia que tinha. Sabe aquela de ficar olhando a caixa de email pra ver se tem novidades? E o pior, encontrar spam ou ainda aquelas mensagens chatissimas em power point, que eu deleto de cara? Pois é, essa mania é um saco mesmo, e com ela também tem a de ver se tem scraps no orkut e responder urgentemente como se fosse a coisa mais importante da vida, ver se o msn tá piscando indicando que algum amiguinho está tentando conversar com você, olhar todos os blogs que você acompanha na busca incessante de atualizações, ve se as pessoas que você segue no twittter já colocaram uma frase bonitinha no ultimo minuto, enfim, tudo isso é um saco. Se livrar da internet, mesmo que provisóriamente, não mata e nem vai matar ninguem. É bom, muito bom por sinal. Não vou dizer que é melhor ler um livro ou assistir um bom filme, que pra mim também o prendem na cadeira trazendo todo o problema do sedentarismo que a internet traz. O que digo é: Vá a uma praia, no seu horário de folga, e ao invés de ler email vá ver umas gatinhas (ou uns caba vei se você gosta), tomar umas cervas geladas com seus amigos reais, dar uma risadas em piadas contadas ao vivo e não nas que estão nos emails que você recebe, pedalar e perder uns quilinhos que com certeza você deve estar precisando.
Fiquei sem internet e foi como se pudesse voltar no tempo, onde ela não existia. Voltar a fazer o que fazia antes da desgraçada me pegar de jeito. Só faltou mesmo eu ter a disposição, a idade e a falta de responsabilidade que tinha antes, para que tudo fosse perfeito. Ai também seria querer pedir demais. O fato é que vou tentar ficar mais sem internet, mesmo já tendo voltado a ela. Vou tentar desligar mais esse micro e pensar que o provedor está fora do ar (nem é tão dificil isso acontecer realmente). Pedalar eu já não digo que farei, pois não tenho bicicleta nem disposição para o mesmo.
E vê se para de ler esse blog e vai da uma olhada ai do lado de fora. Quem sabe você não encontra um bilhete premiado para a megasena da virada, fica rico e não precisa nunca mais nem ligar um computador. Ou você acha que multimilionários tem tempo e vontade de atualizar seus orkuts? Fica a sugestão e constatação, internet é bom, mas engorda.
P.S. É só a cabecinha, só que é referente a minha e não a sua ou dos japoneses.
Uma Parábola Sobre a Fé
Nesse clima de fim de ano, otimismo contagiante, me lembrei dessa parábola que escutei há muitos anos, uma prova de fé nas situações mais adversas. Podem convertê-la em powerpoint pra mandar por e-mail, se quiserem. Compartilho com vocês. Só não lembro ao certo onde a ouvi, mas ei-la:
No meio de um deserto de calor escaldante, daqueles de fazer o capeta suar em bicas, um explorador perdido em seu Land Rover se vê sem gasolina, a centenas de quilômetros da bomba de gasolina mais próxima, e tendo por perto apenas uma igrejinha no meio do nada. Desolado, o explorador deixa seu veículo e caminha até a paróquia empoeirada, encontrando um velho padre, que acena e o recebe.
-
O senhor teria um pouco de gasolina?
-
Não, meu jovem, não há nenhum veículo aqui próximo, e o posto de gasolina mais perto fica a uns cento e cinquenta quilômetros
-
E agora, o que eu faço, padre?
Aquele padre, velho e de fé desgastada, cínico como uma puta velha, quis aproveitar o desespero do explorador para brincar com a situação de forma quase cruel:
-
Você tem fé, meu filho?
-
Claro, padre, claro!
-
Então você faça o seguinte: pegue seu galão e vá atrás daquela duna. Lá você achará uma fonte de água. Encha o galão com esta água, traga-a e ponha toda a água no tanque de gasolina
-
Mas padre, isso…
-
VOCÊ TEM FÉ, MEU FILHO?
-
Claro!
-
Então faça o que estou mandando
O pobre explorador pegou o galão e saiu debaixo do sol escaldante em busca da água, deixando o padre se esborrachando de rir. Quase uma hora depois, ele volta, e o padre volta a manter o ar sério.
-
Voce tem fé, não é, filho?
-
Sim
-
-Então faça o que eu mandei. Ponha a água no tanque de gasolina e você sairá.
Absorto em seu desespero, o jovem obedece o padre, e entorna toda a água do galão tanque adentro, e depois entra no veículo.
-Eu tenho fé, padre!
Segurando-se para não se esborrachar de rir, o padre observa a distância as tentativas do explorador em ligar o veículo, ouvindo apenas o motor de arranque rodando no vazio.
Porém, na terceira tentativa, o motor liga, e o ruído ecoa pelo deserto, com a fumaça saindo pelo escape. O explorador acelera, até ter certeza de que o motor se materá funcionando. Ele, radiante de felicidade, e o padre boquiaberto com o inusitado da situação. O carro se desloca, e o jovem explorador acena, agradecido por ter sua fé retribuída.
O padre permanece imóvel, observando o veículo sumir no horizonte, deixando uma nuvem de poeira. Por fim, consegue sentenciar:
- VAI TER FÉ ASSIM LÁ NA PUTA QUE PARIU!
Ah, lembrei-me agora onde ouvi tão linda parábola. Foi do filósofo e humorista Costinha, que a esta altura deve estar contando piadas pro tinhoso.

A Balada do Samurai

É ruim de doer, mas é bom
Esse é da série de filmes que de tão ruins se tornam cultuados e acumulam uma série de fãs. E esse em especial tem acumulado poeira na minha estante, já que é o único DVD do meu acervo que eu não consegui emprestar a ninguém, muito em parte pela propaganda negativa de minha digníssima esposa, que sempre quando ensaio um bote para exibir ou emprestar o filme, ela alerta aos amigos incautos e desprevenidos sobre a (falta de) qualidade do filme, com críticas sucintas do tipo “isso é uma bosta!”. Para sacanear, apenas descrevo o filme como um episódio dos Power Rangers filmado no sertão da Paraíba com figurinos da feira da Sulanca. Bem, quem sabe com essa resenha consiga convencer alguém a assistir a essa película no melhor estilo “sacaneei”.
Um “Kill Bill” genérico
Esse pequeno exemplo de incompetência cinematográfica se chama “Six-String Samurai” e foi lançado em 1998, e por aqui já recebeu o título “O Samurai do Rock´n´Roll”, mas atualmente é disponível em DVD com o título “A Balada do Samurai”. No universo do filme, a Guerra Fria acabou bem antes, já que a União Soviética bombardeou os Estados Unidos em 1958 e invadiu o que sobrou. O único bastião da civilização americana é a cidade de Las Vegas, que foi rebatizada para Lost Vegas e é governada pelo rei Elvis Presley. Sim, a premissa é essa, e não é nenhuma paródia escrita por nós. É sério. Ou quase.
O filme começa realmente quando Elvis morre e deixa vago o trono de rei de Lost Vegas. E o guitarrista e espadachim Buddy vaga pelo deserto de Nevada em direção à cidade para disputar a vaga deixada pelo eterno rei do Rock. No caminho ele se depara com gangues de roqueiros, mutantes, famílias canibais, tribo de doentes em roupas de apicultor, o que sobrou do exército vermelho e a própria morte em pessoa. Por sinal, a morte usa cartola e uma guitarra Falcon (seria o Slash da velha banda Gun´s´Roses?) e sai matando todos os possíveis guitarristas que se aventuraram pelo deserto em direção a Lost Vegas. E seguindo os seus passos, um garoto que Buddy salvara logo no início do filme e cuja mãe fora morta por mutantes canibais (ou o que quer que fossem aqueles caras maltrapilhos e sujos).
O culpado desse absurdo cinematográfico é o diretor Lance Mungia. E eu creio piamente que ninguém seria capaz de cometer tanta ruindade sem ser de propósito, só para fazer estilo. A produção é pobre de doer, os diálogos no filme não devem somar mais do que cinco minutos, já que a maioria dos atores não se preocupou muito com falas, principalmente o protagonista. As cenas de ação não chegam a ser um banho de sangue no melhor estilo Kill Bill, até porque Buddy não usa exatamente uma Katana Hatori Hanzo (ou porque faltou dinheiro para sangue cinematográfico). Mas bem que poderiam ser mais violentas para completar o ar “trash cult”. Pelo menos o visual pós-guerra decadente soa autêntico, num cenário natural que lembra os velhos filmes do Mad Max.
A trilha sonora , no melhor estilo rockabilly com uma pitada de polca, é toda de uma banda chamada The Red Elvises, que inclusive faz uma participação no filme. Não é brilhante, mas funciona legal.
Há algumas cenas interessantes, como quando o pretenso futuro rei de Lost Vegas sai no braço e espada com o exército vermelho, que representando bem o regime comunista, não recebe munição desde o final dos anos 50. E não deixaria de citar a batalha final entre Buddy e a Morte, inicialmente um duelo de guitarras seguido de porradaria e de um final completamente nonsense. Se você relaxar e não chegar ao final do filme com um “putaquepariu!” na ponta da língua, dá pra se divertir. Se não, era melhor ter dado ouvidos a minha esposa…
Mais ruindade informação lá no Fórum do FARRA
Rapidinhas Natalinas: Feliz Natal, cai de boca no…rabanete
- Para quem não viu ainda aqui na Blodega, nossa mensagem ridícula de Natal, Roberto Carlos Espacial e a A Trilha Sonora das Festas;
-Os malucos do Farrazine soltaram um especial de Natal da revista eletrônica mais cool da blogosfera nerd. Manda ver que, pra variar, é no precinho;
-Coca-Cola e Natal, tudo a ver? Dizem que foi a Coca que inventou o Papai Noel em um anúncio de 1931, mas não foi bem assim. Se inteire sobre o assunto e pague de nerd intelectual na ceia em família.
Rápidas Sugestões de leitura no Natal:
-“Hellblazer 49”, na qual o patife John Constantine ajuda o espírito pagão das antigas festividades orgiásticas que foram obliteradas pelas tradições natalinas cristãs. Dá uma vontade de comemorar o Natal como antigamente: enchendo a cara e enfiando o peru na primeira que der bobeira;

-Sim, tá nevando na blodega, ou então meu problema com caspa piorou bastante. Quem sabe assim também não neva em Patos e teremos finalmente nossa olimpíada de inverno?

- E aí, já contribuiu para a campanha Natal sem Simone?

Mensagem ridícula de Natal

Você que, ao invés de ir para casa na véspera do Natal prefere encher a cara com os colegas de trabalho até tarde, tome cuidado: você pode chegar em casa e descobrir que o Papai Noel desceu pela chaminé – ou entrou pela janela de sua casa – pôs sua mulher no colo e esta atendendo a seus desejos. Rou-rou-rou.
E pior que isso seria encontrar o urso da Coca-Cola. É isso aí.

Pequenas Biografias da Blodega – Artur Chopenhauer
“Uma cerveja antes, durante e depois do almoço é muito bom pra ficar pensando melhor”
Artur Chopenhauer é o primo menos famoso e mais cachaceiro do filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Além do nome parecido e do penteado igualmente ridículo, ambos eram profundos pensadores de seu tempo. Mas só o primo Schopenhauer ficaria famoso, enquanto que Chopenhauer cairia no esquecimento. Consta que o Schopenhauer famoso teria roubado as idéias de seu primo enquanto ambos enchiam os cornos de chope nos sujinhos de Berlim. Como todo filósofo de botequim, Chopenhauer não se preocupava em registrar seus pensamentos, aforismos, insights ou qualquer coisa que lhe desse na telha – até porque ele se esquecia de tudo durante a ressaca.
Mas Schopenhauer, que de besta não tinha nada, foi fortemente influenciado e se firmou como grande pensador. Por exemplo, uma das obras mais conhecidas de Schopenhauer, “O Mundo Como Vontade e Representação” teria sido inteiramente roubada do primo. Na verdade, Chopenhauer lançaria “O Mundo Com Vontade…De tomar uma! – A Dipsomania Como Filosofia de Vida” se não estivesse tão ocupado tentando dar baixa no estoque de fermentados das regiões da Bavária e da Boêmia.
Para Chopenhauer, a existência era um porre, e para encará-la, só mesmo a vontade… de encher a cara. O mundo seria melhor com três tulipas de chope a mais. Porém a ressaca que seguia à bebedeira tornava pior a percepção do mundo, em um ciclo sem fim de euforia e frustração. No fim, inspirado no bu(n)dismo, a maneira de fugir à chatura da vida e da ressaca existencial seria se manter constantemente bêbado. E o fígado que se fudesse. Afinal ele era filósofo, e não médico.
Schopenhauer bebeu bem dessa fonte (ou alambique, mais especificamente), mas adequou tais ideias às linhas de pensamento do budismo, Platão e Kant, e sua proposta para aplacar momentaneamente a vontade e a infelicidade seria a contemplação das artes. E ficou famoso por ser um eterno pessimista que só se alegrava ao ouvir música. Hoje ele teria mais raiva ainda da vida se ouvisse o que anda rolando nas FM´s ou que está exposto nos museus, mas não vem ao caso. Para Chopenhauer, beber era uma arte, e isso era o bastante.
Se Schopenhauer não gostava de Hegel, este é que não suportava as piadinhas de Chopenhauer, que sempre que o via, cantava a musiquinha “Hey Girl”, dos Fevers , num trocadilho infame com “Hegel”: “Hegel, que vou fazer, não sei viver longe de você”. Normalmente Hegel sugeria enfaticamente que ele fosse tomar no rabo, ou algo filosoficamente similar.
Decepcionado e frustrado com o sucesso de seu primo nos círculos de pensadores respeitáveis, Chopenhauer mandou tudo pra puta que pariu. Diz a lenda que Chopenhauer resolveu seguir os ensinamentos do velho pensador cínico Demóstenes, andando nu pelos botecos e expressando de forma clara seus desejos e instintos mais básicos (“quero comer um cu, porra!”). Por fim, resolveu morar em um barril, como o filósofo grego. Mas “esqueceu” de esvaziar seu conteúdo antes de entrar nele, de cabeça e tudo. Só não se afogou porque conseguiu beber todo seu conteúdo antes de ficar sem oxigênio. Sua morte é fonte de diversas especulações. A mais recorrente é que teria morrido como Sócrates, que foi obrigado a beber cicuta, e antes de morrer pediu para alguém pagar o galo que devia a Esculápio. No caso de Chopenhauer, alguém lhe teria dado água ao invés de pinga, o que lhe causou um choque anafilático mortal. Suas últimas palavras foram “É água, porra!”, e teria morrido sem lembrar de pagar o galeto que comeu fiado no botequim de Esculápio.
Mesmo desconhecido do público, sua filosofia influenciou o pensamento, a filosofia e o modo de vida de modernos pensadores, como Mussum, Zeca Pagodinho, Branchú, Vinícius de Morais, Fausto Fawcett e Miéle.
Sivuca, o Poeta do Som

No último dia 14, fez três anos da morte de Severino Dias de Oliveira, um paraibano da cidade de Itabaiana que se tornaria conhecido no Brasil e no mundo pelo apelido que adotou ao ir trabalhar na Rádio Clube de Pernambuco: Sivuca. Deveria ter reeditado este texto de 2007 há três dias, mas a correria o fez passar batido. Mas antes tarde do que mais tarde. Eis Sivuca!
I am be Back!

Só avisando que voltei de Sao Paulo, a cidade molhadinha, e sobrevivi ao dilúvio semanal. Em breve volto a postar na blodega. Nesse meio tempo tenho que esvaziar a caixinha das almas e correr atrás dos fiados devidos. Nesse meio tempo leiam o que escrevi sobre Ruy Castro para o site Mínimo Múltiplo, do colega Lucas Colombo
Roberto Carlos Espacial

Texto enviado por mim mesmo no futuro. As conexões devem ser ótimas em 2069
Um belo dia, na altura de meus trinta e poucos anos, naquele final de ano de 2009, perguntaram se eu tinha medo da morte. É claro que eu me cagava de medo da morte. Mas disse apenas que precisava de tempo para me acostumar com a ideia. Uns cento e quinze anos, pelo menos.
E até que não posso reclamar. Desde aquela data, já se passaram sessenta anos. E, graças ao avanço na medicina, ainda controlo as minhas funções mais básicas. O que significa qualidade de vida e uma senhora economia, já que não precisam lavar minhas calças cagadas. Talvez tanta longevidade se deva a um bom bocado de sorte e – cogitam – a administração regular de doses de gim com tônica.
Cazzo, mais um ano que se acaba. No meu caso, já foram mais de noventa e cinco anos. No decorrer do século 21, muita coisa mudou na raça humana e nos costumes. Mas tem coisas que simplesmente não mudam, e o pouco que mudam é para que tudo permaneça igual.
Por exemplo, desde que me entendo por gente, que o Natal é marcado por um especial de Roberto Carlos e o lançamento anual de seu disco. Claro que quando começou, os discos eram LP. Long Plays, onde chiados disputavam espaço entre os instrumentos e a voz do rei. Meus bisnetos acham estranho quando descrevo estas coisas, que são literalmente peças de museu, comparados aos dispositivos digitais de hoje. Por exemplo, enquanto escrevo, Roberto Carlos está apresentando seu show anual a bordo da estação espacial de luxo Lady Laura, uma nave luxuosa com todos os recursos inimagináveis, incluindo uma casa de shows com milhares de lugares. E podemos assistir a este show no conforto de minha sala através de imagens holográficas e som digital de alta definição. E ao invés de venda de discos, o pacote do show inclui uma cópia registrada do mesmo, gravada em mídia não volátil. É praticamente como se estivéssemos lá. Com exceção da baixa gravidade, obviamente.
Mas como diabos Roberto Carlos ainda está vivo e cantando em 2069? A biografia oficial explica que as mais novas e revolucionárias técnicas medicinais têm prolongado a sua vida, e ainda mantendo sua forma e sua voz (isso inclui uma perfeita perna biônica). Claro que aquele paletó cafona tem um sistema de suporte de vida, dizem as más línguas. Aliás, as más línguas dizem muita coisa. Como por exemplo, que a atual esposa dele, uma jovem setenta anos mais nova, seria um clone da Miriam Rios. Claro que poucos sabem ou se lembram dela, só uns poucos matusas iguais a mim. Há outras teorias malucas de que aquele é apenas um clone do verdadeiro Roberto Carlos, ou que o show inteiro não passa de um holograma produzido por computador. Aliás, dizem que a vida inteira é uma simulação de computador. Isso parece um filme que assisti há muito tempo, só não lembro o título…
Ah, mas tergiverso. O show é o mesmo nestas décadas todas. Algumas canções clássicas, como “Emoções”, abrem o espetáculo. Aí ele emenda um sucesso antigo atrás do outro, como “É Preciso Saber Viver”, “Imoral, Ilegal ou Engorda”, “Festa de Arromba”, “A Volta”, e eventualmente ocorre a participação de algum cantor mais jovem. A propósito, vale comentar que os “cantores mais novos” são quase todos netos e bisnetos de outros cantores famosos “do meu tempo” , como os netos da Sandy, que formam uma banda de heavy-funk-pagode progressivo, que acompanham Roberto em uma nova roupagem da música. Já “Debaixo dos Caracóis de Seus Cabelos” é cantada com a bisneta de Caetano Veloso, naquele tom de homenagem e reverência. Ou não.
Claro que não dá para viver só do passado, mesmo que este passado seja imenso. As músicas novas merecem um espaço no final do show. Este ano ele compôs uma música em parceria com o seu computador Erasmo Carlos (uma cópia cibernética do cérebro do antigo parceiro. Infelizmente não houve ciência que o salvasse de décadas de pé na jaca) que enaltecem a beleza e o caráter das mulheres que trabalham nas casas noturnas que orbitam Vênus. Obviamente Roberto Carlos explica sua nova composição em uma entrevista à Glória Maria. Sim, claro que ela ainda existe. A medicina faz milagres. Só não pergunte qual a idade dela. É o segredo mais bem guardado nestes últimos oitenta anos, talvez mais do que a fórmula da cerveja afrodisíaca romulana.
Mas, diante deste admirável mundo novo, os que me conhecem devem estar se perguntando: o que diabos Moziel faz assistindo a um show de Roberto Carlos, já que eu não era exatamente fã do “rei”? Poderia simplesmente dizer que gostos mudam em seis décadas, ou que o próprio estilo do Roberto teria mudado nestes anos. Na realidade ambos mudamos. Mas a principal causa é que, no mundo de 2065, Roberto Carlos é uma ilha de boa música. Podem acreditar. Ou vocês já tentaram escutar uma música de heavy-funk-pagode progressivo?
Moziel afirma que recebeu este texto de si mesmo por e-mail, já que no futuro este recurso estará disponível, o que acabaria com os problemas de prazo na entrega dos textos. Claro que ele respondeu o e-mail agradecendo e pedindo os números dos futuros sorteios da Mega-sena. Ele ainda aguarda resposta



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