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Quando Mundos Colidem (Parte 2)

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Conclusão do artigo sobre os filmes que Hollywood comete sobre a obra do inglês barbudo Alan Moore. Caso ainda não tenha lido a primeira parte, fique à vontade para fazê-lo
A mais recente produção baseada na obra de “Alan Moore é “Watchmen“, que foi lançada no cinema há cerca de um ano. E quem prestar atenção nos créditos de abertura, verá que só é mencionado o nome de Dave Gibbons, o desenhista. Mais uma vez Alan Moore fez questão de não ver seu nome associado a uma produção, não obstante ter sido esta obra de 1986 que consolidou seu nome entre os grandes roteiristas do gênero. Mas também foi praticamente seu último trabalho para a DC antes dele puxar o carro da editora, que ficou com o direito dos personagens por ele criado para a maxi-série em 12 partes que revolucionou os quadrinhos de super-heróis no meio dos anos 80. Desde o fim daquela década que boatos referentes a uma possível produção baseada na série circulam. O ex Monty Python Terry Gillian chegou a ter o projeto em mãos, mas reza a lenda que o próprio Alan Moore o convenceu que boa parte dos conceitos apresentados na revista não funcionariam no cinema. Os fãs sempre esperavam o pior de uma possível adaptação, com ótimas ideias se convertendo em bobagens hollywoodianas. Muitos anos depois, finalmente a produção caiu nas mãos do diretor Jack Snider.

Jack Snider é um caso à parte, já que ganhou um certo respaldo e respeito dos fãs dos quadrinhos após transpor o álbum “300 de Esparta”, do Frank Miller, no filme “300“. O que impressionou a muitos foi justamente que algumas cenas seguiram fielmente várias páginas dos quadrinhos, como se estes fossem storyboards da produção. Robert Rodriguez já fizera isso em Sin City. Só que ao contrário de Rodriguez, que se manteve fiel ao roteiro e às imagens, o que se percebe é que Snyder optou por reproduzir fielmente o visual dos quadrinhos de Frank Miller, porém não foi tão fiel ao roteiro, introduzindo pequenas mudanças que , na verdade, modificavam substancialmente o texto como um todo, além de inserir uma história totalmente nova envolvendo a rainha de Esparta e uma trama política nos bastidores. Resumindo, num primeiro olhar podemos até achar que a adaptação de Snyder é fiel, mas se observarmos os detalhes, dá pra perceber que aspectos muito importantes do texto original foram pervertidos, muito provavelmente para adequar a produção à alguma “receita de bolo” dos produtores.

E foi isso que aconteceu com “Watchmen“. Já no trailer ficou claro que muitas das cenas reproduziriam na tela as cenas desenhadas por Dave Gibbons, o que alegrou os fãs temerosos por mais uma bomba hollywoodiana baseada em Alan Moore. E quanto a isso não há sombra de dúvida de que muitas sequências antológicas foram transpostas para o filme, o que por si só já é um senhor mérito, provocando um frisson voyerista em qualquer um que já tenha lido e relido ad infinitum a maxi-série.

Mas as boas notícias param por aí. O que vou falar a seguir pode até parecer aquele papo nerd xiita de se exigir fidelidade absoluta aos detalhes da obra, e talvez até seja. Mas quando falo em detalhes não estou me referindo ao tom certo de verde para o Hulk ou o tamanho dos chifres na máscara do Demolidor. Por isso não vou reclamar da mudança dos uniformes, pois isso é perfumaria. Até gostei de algumas mudanças, como os uniformes da Silk Spectre. A original é uma tremenda referência visual às pinups, e o uniforme de sua filha Laurie ficou mais interessante, por assim dizer, agradando a qualquer tarado por mulheres em latex.

Como Moore previa, não dava para levar tudo para a tela, mas até aí tudo bem, é aceitável. Mas aí dou ponto a Snider, que na abertura do filme faz um resumo dos anos 30 até 1985, quando se passa a história, usando referências visuais excelentes e citando fatos que são mencionados ao longo dos quadrinhos de forma indireta.

Um dos pontos fracos, na minha subjetiva e sincera opinião, é a caracterização dos personagens e a interpretação dos atores. O Comediante e o Rorcharsch até que foram OK, apesar de poderem ter sido ainda melhor explorados. Porém senti falta uma Sally Jupiter sexualmente liberal quando jovem e uma senhora amarga “esperando a morte” em um asilo. Tampouco vi a personalidade forte e zangada de sua filha, Laurie, frustrada por ter que realizar as fantasias da mãe. O o Ozymandias, então? Nos quadrinhos Adrian Veidt era um senhor loiro de meia idade, com uma expressão carismática, natural liderança e presença marcante, mas carregando uma amargura e o peso dos seus atos. No filme se tornou um personagem distante e apático, com maneirismos quase afetados. Uma bichona, como diria Paulo Silvino. Tudo bem que Rorscharch insinua uma possível homossexualidade do personagem no gibi, mas daí a levar isso a sério é sacanagem. Em suma, faltou dar uma personalidade aos personagens, estavam quase todos apáticos. Culpa do elenco, do diretor, do roteiro? Não sei dos outros atores, mas a Carla Gugino sabe ser bem safada quando quer…

watchmen1.jpgE falando em roteiro, este é o principal calcanhar de aquiles do filme. O forte da obra é justamente a história, que explorou praticamente todas as possibilidades narrativas da mídia quadrinhos, com flashbacks, metalinguagem e metáforas visuais e narrativas excelentes, incluindo as citações, referências e diálogos, em sua maioria com sutileza que exige uma segunda leitura pra ser percebido. Obviamente não seria viável transpor TUDO para um filme, mas bem que poderiam manter a essência da obra. Personagens secundários acabaram se fundindo entre si, os aspectos-chaves da trama foram simplificados, os diálogos se tornaram menos brilhantes, e o que é pior, a sutileza foi pro saco, com inclusão de cenas com violência gráfica, algo que não existia tão explicitamente nos original. Não sei se subestimaram por demais o público, mas não deixaram muito espaço para a imaginação do espectador. Tudo bem que os produtores de Hollywood não costumam perder dinheiro ao nivelar por baixo a inteligência de seu público, mas acho que exageraram. Como exemplo posso invocar a cena que eu mais aguardava, o relato de Rorscharch ao psicólogo da prisão sobre o seu passado, principalmente o caso de sequestro da garotinha, que perdeu todo o clima. Claro que nos quadrinhos houve tempo para desenvolver uma tensão entre os personagens, mas o pior é que no filme o diretor queria deixar tudo bem claro, no melhor estilo “estou desenhando para você entender direitinho”, e onde haviam dois cães brigando por um osso – que se revelaria uma tíbia humana após um olhar mais atento – ficou uma perna de criança destroçada e ainda com o sapatinho na boca de dois pastores alemães. E nem vou comentar a diferença do modo como ele mata o assassino nos quadrinhos e no filme.

Esteticamente o filme agrada, mas como narrativa e caracterização dos personagens deixa a desejar, e muito, ao texto original. Talvez eu venha a mudar de opinião quando vir a assistir a versão integral do diretor, com cenas acrescentadas e os extras, como os “Contos do Cargueiro Negro”. Mas duvido muito.

A moda de adaptar histórias em quadrinhos para o cinema ainda está rendendo, e veremos muitos filmes deste gênero pelos próximos anos. Mesmo afastado da indústria de quadrinhos, ainda há algum material escrito por Moore que ainda não foi tocado pelos obtusos produtores do cinema, como “Tom Strong”, “Promethea” ou “Lost Girls”. Resta saber se algum dia teremos no cinema algo fiel à obra do mago inglês, ou se Hoolywood vai perceber que Moore lançou uma urucubaca das brabas pra qualquer filme baseado em sua obra dar com os burros n’água.

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Quando Mundos Colidem (Parte 1)

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A Relação Conflituosa entre Alan Moore e Hollywood
Quem já lê quadrinhos há muitos anos com certeza já teve em mãos alguma história escrita por Alan Moore, um dos mais respeitados e admirados escritores do gênero, o qual prescinde de maiores apresentações. Suas criações possuem fãs e seguidores, e já renderam milhões em verdinhas para as editoras que as publicam. Nada mais natural que tais histórias de sucesso fossem adaptados a outra mídia. Mas a Bruxa Velha de Northampton não é exatamente uma pessoa de personalidade fácil. Sua relação com as editoras pelas quais já passou nem sempre foi das mais agradáveis. E o assunto piora quando se trata de adaptar suas criações para as telas. Com filmes baseados em quadrinhos rendendo uma graninha boa, claro que os produtores do cinema viriam a querer levar algumas das ideias de Moore para uma grande produção. Mas o padrão blockbuster de qualidade, mais sintonizado com clichês e receitas de sucesso, dificilmente digeriria todas as propostas estéticas e narrativas das melhores histórias escritas por Moore. Daí que os filmes que se basearam em alguma das obras do inglês barbudo dificilmente fazem justiça ao original, na melhor hipótese, isso quando não resultam em uma bomba daquelas que nem Michael Bay conseguiria cometer. Por Moore, nenhuma de suas criações iria às telas para não perverter o conceito original. Infelizmente não depende dele, já que tais criações estão, em sua maioria, nas mãos das editoras para as quais ele trabalhou e escreveu. O máximo que ele pode fazer, nestes casos, é garantir que seu nome não estará associado a tais produções. E claro, falar mal o máximo possível, certamente fazendo algum vodu pesado quando algum desavisado resolve dirigir uma de suas histórias. Esta relação de (pouco) amor e (muito) ódio entre Hollywood e Alan Moore já rendeu produções sofríveis e alguns processos judiciais, além de úlceras nos fãs mais empedernidos, que certamente fazem coro às imprecações de Moore. É um estranho casamento, que apesar de não ter sexo, sempre alguém está se fodendo.
Eddie Campbell Alan Moore From Hell psychogeography.jpg do-inferno01.jpgRelembrando os lances desta relação tempestuosa, a primeira obra de Moore a ser levada ao cinema foi “Do Inferno”. Nesta série, Alan Moore reconta a história de Jack, o Estripador, se baseando nas teorias do historiador Stephen Knight, entre outras teorias, para dar sua versão do criminoso, cuja identidade é logo revelada no início da história. Mas Moore vai muito além de uma mera história policial nessa série em preto e branco desenhada por Eddie Campbell, explorando a psique de Jack sob várias óticas. O filme, produzido em 2001 e dirigido por Albert e Allen Hughes, em si, não é tão ruim. Se alguém que não leu a história original assistir a ele pode acabar gostando. Não chega a ser excelente, mas é um bom passatempo, e o personagem de Johnny Depp segura o filme, mas não passa de um suspense convencional com um romance mal resolvido no meio, e com uma certa dose de violência. Infelizmente a trama e os conceitos apresentados por Moore são solenemente ignorados no roteiro. E, obviamente, Moore não gostou nem um pouco. Mas ele nem imaginava em seus sonhos mais loucos o que o aguardava.
League-of-extraordinary-gen.jpg league-of-extraordinary-gentlemen.jpg“A Liga dos Cavaleiros Extraordinários” é uma das melhores coisas que surgiram nos quadrinhos dos anos 90. Alan Moore usou seu conhecimento da literatura fantástica e de aventura do século XIX e mesclou alguns dos personagens em uma espécie de “Liga da Justiça” vitoriana, que era liderada por Mina, a antiga amante de Drácula, e formada pelo Capitão Nemo, Allan Quaterman, Dr,Jeckill e o Homem Invisível. O resultado é uma história criativa, cheia de referências a personagens da literatura, bastante violenta, algo realçado pelo traço de Kevin O’Neil. Uma premissa muito interessante, uma história pronta para um filme inovador. E o que fizeram? A bomba “A Liga Extraordinária“, de 2003. Pra satisfazer o ego do Sean Connery, que fez Alan Quatermain, seu personagem passou a ser o protagonista e líder da equipe, além dos mais diversos pitacos que o velho 007 obrigou o diretor a engolir. Foram acrescentados outros personagens, como o imortal Dorian Gray e o aventureiro Tom Sawyer. O resultado é um filme com história fraca e roteiro ridículo, que fez algo que raramente ocorre: público e crítica concordarem. Concordarem que o filme é uma bosta. E para terminar de lascar, a produção foi processada pelo uso dos personagens Tom Sawyer e Dorian Gray, que não estavam em domínio público. E como o nome de Alan Moore estava nos créditos como escritor, ele acabou, mesmo que indiretamente, envolvido também. Daí em diante ele fez questão de não ver seu nome envolvido em mais produção alguma. Tanto que, nos filmes posteriores que se baseiam em obras de Alan Moore não levam seu nome como um dos escritores.
Vamos à próxima vítima. John Constantine foi uma criação do Moore quando este estava à frente do título “Monstro do Pântano”, no qual fez um excelente trabalho ao revitalizar um personagem do segundo time e a trazer de volta elementos de terror aos quadrinhos americanos. O personagem fez tanto sucesso que logo estaria em título próprio, “Hellblazer”, que é publicado até hoje pelo selo Vertigo, e já passou pelas mãos de outros bons escritores, como Garth Ennis e Warren Ellis. O cínico mago inglês, sempre de sobretudo e fumando cigarros Silk Cut, é um dos mais fascinantes anti-heróis dos quadrinhos. Em 2005 sai o filmconstantine.jpge com o personagem, sob o título “Constantine“. Os fãs se assustaram, mas pelos motivos errados. Aliás, a coisa já começou errada, hellblazer2.jpgpois Constantine, que é loiro e inglês , virou americano e moreno, e alguém achou uma ótima ideia usar o recém-saído do sucesso “Matrix” Keanu Reeves como protagonista. E, para variar, os produtores e roteiristas não aproveitaram muito mais do que o conceito do personagem. Mesmo usando elementos encontrados nos quadrinhos escritos por Jamie Delano e, principalmente, Garth Ennis, grande parte das melhores ideias, por sinal as mais ousadas e politicamente incorretas, foram simplificadas ou ignoradas. O resultado? Um filme de aventura com alguns elementos de terror, um “Sobrenatural” misturado à “Matrix”. Pode até agradar o público em geral, mas quem já conhecia o personagem deve ter tido ganas em explodir algum estúdio ao ver uma versão estagiário de macumbeiro do Chas, que de taxista brutalhão, praticamente um Hooligan, virou um rapaz franzino. Não deve ter agradado também Constantine se aventurando nos EUA, e não na sua versão sombria de Londres, e usando uma espingarda benzida para matar capetas. Mas o toque final foi o personagem deixar de fumar e passar a mascar chiclete. Tenha dó. Mesmo não se baseando nas histórias escritas por Moore, o personagem foi criado por ele, e este foi mais um bom motivo para o inglês querer distância ainda maior de Hollywood.
Mas Moore estava ocupado demais com outra produção para se preocupar com o que fizeram com Constantine, pois os irmãos Wachowski estavam produzindo “V de Vingança“, baseada na série que Moore escreveu ainda na Inglaterra, mostrando um futuro sombrio no qual o governo, após um av for vendetta mask.jpgto terrorista,vendetta.jpg assume o controle total do país, submetendo-o a uma ditadura de extrema direita, com clara inspiração em “1984“, de George Orwell. Antes mesmo do resultado ser exibido, a celeuma maior foi tentarem dar um “selo de aprovação Alan Moore” ao filme, o que seria uma façanha sem tamanho, pois os produtores afirmaram que o roteiro havia sido lido e aprovado por Alan Moore, que negou veementemente e ainda esculhambou com Deus e o mundo, exigindo que seu nome NÃO aparecesse nos créditos. No caso do roteiro, além de algumas omissões de personagens secundários, haviam pequenas e sutis mudanças na história, mas que acabaram tirando o verniz do texto original. Pois é, aquela mania de tentar suavizar personagens, de adaptar a história para o gosto do público em geral, sabem como é…Resultado? Um filme de ação bom, que aproveitou bem alguns elementos do original mas que estragou outros. Para quem assistiu e gostou, vale a pena ler a obra original para comparar. Mas o que poderia ser a suprema heresia ainda estava por vir.
(claro que este artigo continua...)

 

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Aranha, o Rei sem Coroa do Crime

Na minissérie “Albion”, escrita pelo maluco do Alan Moore junto com sua filha Leah, os heróis e vilões dos quadrinhos ingleses são revistos em uma história pós-moderna. A maioria deles é quase que ilustremente desconhecida para a maioria dos fãs brazucas. Mas um personagem em especial, o Sr. Chinard, me trouxe algumas lembranças longínquas,e com um certo esforço me lembrei de ter lido suas aventuras na infância, quando ele atendia pelo nome de guerra “O Aranha”, e se auto intitulava “O Rei sem Coroa do Crime”.

Na verdade li apenas duas de suas histórias, em ótimas ilustrações em preto e branco, ambas as histórias publicadas em uma única revista em formato almanaque lançada pela editora Kultus nos anos 70, editora esta que entrou para a história dos quadrinhos nacionais por ser a primeira a publicar as histórias da Vampirella por aqui. Mas só estas duas histórias já mostravam um personagem por demais interessante, pois antes de ser um herói certinho, ele seria um vilão, ou um anti-herói, na melhor das hipóteses, que costumava passar a polícia para trás, planejar maquiavelicamente seus passos, detonar seus oponentes sem dó e tratar seus subalternos como escravos, com equipamentos avançados à sua disposição e um ego maior que o castelo no qual residia.

Infelizmente nunca mais vi nada publicado deste personagem por aqui, tampouco voltei a ver a cor desta revista de novo. Mas é óbvio que o santo padroeiro dos curiosos está aí para nos dar uma forcinha. E eis um breve apanhado a respeito desta fascinante e tão pouco conhecida figura.

O Inimigo da Vizinhança

Antes que se pense que é se trata de um plágio do Homem-Aranha, não se preocupe que nem de longe os personagens têm muito em comum, a não ser o nome e a cidade onde atuam. Esse anti-herói inglês era inicialmente um criminoso megalomaníaco que tinha como maior objetivo se tornar o “rei sem coroa do crime”. Sua base é um castelo medieval transplantado para as proximidades de Nova York, sua área de atuação. Ele não tem poderes sobre-humanos, e sim uma mente brilhante entre suas orelhas pontudas, mente esta que concebera equipamentos e armas ultra-sofisticados, além de uma capacidade ímpar de hipnose. Seu traje é uma roupa escura e justa à prova de balas, além de um exoesqueleto que lhe confere habilidade e força sobre-humana, um foguete portátil às costas e uma pistola lançadora de teias, gás e bolas de fogo. Seu transporte é o Helicar, uma versão compacta de helicóptero com retrofoguetes. Como principais auxiliares ele conta com o cientista Pelham e o hábil ladrão Roy Ordini, que sofrem o diabo nas mãos de seu chefe. Apenas seu ego superava sua genialidade.

Como um perfeito anti-herói, o Aranha tratava seus subordinados com mão de ferro, inclusive apelando para castigos físicos se eles não seguissem suas ordens.  Suas pretensões criminosas o colocaram contra outros bandidos, e mesmo mal intencionado, ele acabou se tornando um involuntário combatente do crime ao eliminar seus rivais no submundo, como o Gênio do Crime ou o Dr. Mysterioso. Acabou deixando o crime e se tornou um mocinho, aliando-se ao grupo inglês de heróis, a Sociedade dos Heróis. O clima das histórias era pura ficção científica dos anos 60.

As histórias do Aranha foram publicadas na revista semanal inglesa “Lion”, da editora Fleetway, entre 1965 e 1969, e o personagem foi criado por Ted Cowan como parte dos esforços da editora em produzir material atualizado para competir com os heróis americanos da era de prata.  Quem viria a assumiras histórias d’O Aranha seria um dos criadores do Super-Homem, Jerry Siegel. Além das aparições semanais, o personagem apareceu nas revistas “Fleetway’s Super Library” e nos especiais anuais da “Lion”. Nos anos 70, muitos dos heróis e vilões publicados nos anos anteriores foram retomados na revista “Vulcan”, que reeditou algumas das histórias do aracnídeo não muito amigo da vizinhança. Além da Inglaterra, tais histórias foram republicadas em outros países da Europa, como Itália, França, Alemanha, Portugal e Espanha.

Após passar os anos 80 praticamente esquecido, o Aranha foi retomado em algumas histórias inglesas. Em 1992, ele faz uma aparição na revista 2000 A.D pelas mãos de Mark Millar, porém essa versão é execrada pelos fãs, pois o mostra como um canibal psicopata, bem ao estilo violento e iconoclasta de Millar. Uma versão que melhor agrada aos fãs apareceu no título “Jack Staff” em 2003. Ele é mostrado como um velho inimigo do personagem-título, que estaria recluso na Inglaterra sob o nome de Alfred Chinard e volta à ativa após ter seus equipamentos roubados. Na já citada “Albion”, de 2006, O Aranha é um personagem-chave da trama, onde heróis e vilões ingleses são mantidos reclusos durante as últimas décadas. Em 2006 foi lançado na Inglaterra uma edição em capa-dura reunindo quatro histórias do Aranha com o título “King Of Crooks”.

Por aqui no Brasil, até onde sei, saiu apenas uma edição em preto e branco com duas histórias completas do personagem, a qual mencionei no início deste texto. Uma delas foi “The Professor of Power”, publicada originalmente em 1967 na “Fleetway Super Library – Fantastic Series” numero 2. A outra foi “Crime Unlimited”,  da “Fleet Library”número 4, totalizando umas 240 páginas. Ao menos naqueles tempos não vi mais nenhuma edição além dessa. Infelizmente esta editora fechou as portas há muitos anos e há pouca informação sobre seu acervo.

Mais sobre o Aranha nesse site

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